O laboratório estava
ritualisticamente aberto, Jane Doe e Mary Sue montaram um estratagema para me
convencer sobre uma companheira. Ran, ru, rum. Chegaram-se com as palavras mais
ingênuas e precipitadas, disponíveis no vocabulário de donas de casas
sobrecarregadas e mulheres de malandro. “Havia ali, um rapaz muito inteligente,
ninguém poderia se comparar a ele, mas...”. Quiseram tirar o delas da reta, mas
em vez disso, se sujeitaram passivamente à uma cordial rendição pelo hábito.
Enquanto a Jane fazia a sonsa, a Mary era mais vocal. Tive que me posicionar,
sem deixar, como manda a bíblia, de as empoderar.
Não, você não pode estranhar o meu
estranho. Ofuscar-me? Nem um tanto. Um livro que mude a sua vida. Alianças
bem-quistas, é o mais esperado na lida. Faço questão de arranjar isso. “Se você
quiser, trago uma mina pra você dançar aqui”. Circulando os olhares, observando
os outros, segurando um copo alcoolizado. Sinas orbitando o anfiteatro. O
incômodo? No papel, uma superioridade na pirâmide social; na prática, uma
obrigação de partilhar o mesmo lugar com plebeus, gregos e troianos. Uma
mistura bacanal, por ora desagradável; útil somente em época de eleição.
Mas os porcos se sujam, topam tudo
por algum alívio pecuniário. Grave essa frase. Ao se libertar, o carrasco da
paz alheia desceu mais alguns degraus. Minhas ninfas mais recatadas, apoiam
abertamente o escroto brucutu. Ninguém faz amor como uma deusa rebelde. “Não
foi eu, foi a Gira”, “foi a lenda de Afrodite!”, “uma tentação diabólica!”,
tudo inventas, são muitas desculpas. Haja reza forte, oração espremida. Impávida? Só ruguinhas de brava.
Fui influenciado, pelos meus
desvios de rota, em nome das chamas, dos desejos mais loucos. À Páris de Troia,
um conselho digital, banal talvez. Todas essas reações em meu cérebro,
estímulos achocolatados... Faço-me até de Ártemis, travestido de aparências
diversas para agradar a Calisto. Sublime? Divino? Humano! Nada mais humano que
isto. “Cheio de cabimento no portão”, se lembra disso? Não é nem metade.
Eventualmente, eu creio que irás
voltar. Nós iremos nos cruzar, porque todos os caminhos nesse microcosmo classe
média se cruzam. Risadas. E tu não é rica, tu és bonita, até quando Deus
quiser. Tal verdade amarga qualquer poeta. Se a gente ama quem a gente vê,
assistir minhas estórias escondida, em que irá te entreter?
Só no culto orando. O melhor porvir,
reconsiderei, após examinar os meus pensamentos. Proximidade aqui, uma lua
nova. Mudaria vidas em minutos de ministração. “Se eu fosse preceptor não seria
um qualquer”. Sendo, agora... Longitudes curváceas me propelam para cima, e
antes que eu me esqueça, consultei oráculos cibernéticos, sim. Acho graça.
Férias em Curação, foi uma febre na
época. Quando amei você, o meu eu hipotético se desfez na sua frente. Sem
pronunciar nenhum meio de campo, ou acordos, ou contratos preliminares. Apenas
nos tocamos, “já expressamos tudo o que tínhamos para dizer”, pensamos em sincronia. Uma linguagem de quem sabe atrair. Dois pobretões na noite, exibindo um cartão do Boto Cor-de-Rosa,
era para dar sorte no amor, logo eles que, quando colhiam os frutos da imprudência
pessoal, e escapavam fedendo da perdição, diziam que foi livramento celeste,
“um anjo botou a mão no meio”.
Mulher casada, donzela prometida,
rabo de saia perdida... Mas cartões de simpatia, da onde eles tiraram isso?
Assisti TV até a madrugada; e o mundo cão que cobria chupacabras, contatos
imediatos com supostos alienígenas e lobisomens invasores de lares, não abordava isso. Nem mesmo o pároco que entrevistava possessos de outro mundo. Grandes
encenações de almas que possuíam patuás no bolso. O pavão esperneia para
demonstrar que me ama.
Pegue os seus santinhos esotéricos e soque no seu cru. Nenhuma mandala hipnotizante chegará na altitude da minha libido. Afirmo isso em plena sã consciência, não precisando de nenhuma gota de cachaça. Estou bem, portanto não adie o nosso negoco para um futuro distante. Apostei O Coração e A Cigana. Descruze os dedos! É questão de tempo e oportunidade. Insistes num “eu preciso tirar Os Enamorados ou O Mago”, quando o cerne é só mobilidade. Figa? Não, são as variáveis incontroláveis. Não somos vítimas do destino. Quem casa... Canva, quente, âmbar, engasta o casto, treme, samba.