Uma campina silente se prostou diante de nós, peregrinos de terras longínquas. Convencido de melhorias pecuniárias, faceiramente me deixei vir com a excursão. — Toda essa terra virgem é uma mina de tesouros para o nosso bem, eu, Capitão Bens Materiais Galopes, em nome da Apostólica Romana, me apresento em nome do povo, embranquecendo os vales e os picos, de Açú ao Cabugi. Assim, ostentou o cabeça da ajuntação. Fiquei pasmo diante da mudança repentina do discurso, o semblante da espécie foi de um clérigo pastoral para um interesseiro com agendas secretas. Comigo sempre viveu uma revolta, porque não tinha cabimento recebermos em Portugal tantas bonanças, de especiarias a pedras preciosas e metais do naipe do ouro e prata, mas não trocávamos em correspondência, não devolvíamos para um equilíbrio, nenhuma benção, nenhuma contribuição humanista. Só pegávamos, só comíamos a carne alheia. Sugando os nutrientes da gente mais pobre e sacando as riquezas dos mais necessitados. Os indianos, os nativos indígenas, os orientais asiáticos, e principalmente os irmãos africanos, irmãos, porque eles são também nossos pais, e eu tão negro como o Rei Zulu, retinto de sol e chuva, e costumes circunstanciais do território. De todo modo, nessa família, natureza humana, queríamos desvirtuar e desviar, uma fome por privilégios se esbeleceu. De algum jeito insano, um destino cabreiro me levou a penetrar-me entre os ramos dos Galopes. Herdeiros da monarquia européia, que por si só é herdeira de incontáveis crimes de guerra, sucessíveis regimes de escravidão e exploração massiva da base piramidal das civilizações. Nossa sociedade não é tão secreta. Precisei romper com esse caminho de perdição, embora reconheça que o hexâmetro datílico me ludibriou por muitos dias e noites, fui moleque, fui principiante. Meu tempo maduro é renunciar às sevícias desse sistema; saindo daqui, eu o danifico, caminhando eu vou para uma convergência melhor. — Já é a época, co-partícipes desse chamado. Vós que enxergo na estrada e me devolvem um olhar próximo à cidadania, tome o que é seu e segue-me. Se não tiverdes nada, traga a sua dignidade, o ato de caminhar já é a vossa ministração honrosa. Bufando de ódio, exalando um incômodo, estão os puxa-sacos dessa estrutura caída que nos opomos, e, de fato, nossa alma e perfil naturalmente não se encaixam nas ordens espinhosas: que sufocam o órfão e a viúva, e não dão espaço nem para o verde respirar, nem para a lebre passear. Como relaxaram tão celeremente sem nenhuma queixa diante de tal anti-vida? Isso em troca de um papel cifrado, um dinheiro sujo e uma sobrevivência média, uma brevidade medíocre nas paisagens terrenas. E o álcool presente nas mesas da pouca vergonha. Operem os anjos os fogaréus de cima para baixo, porque jaz o mundo numa repetição cultural que já foi além do repugnante. — O que fazes, jovem, na beira do precipício? Junte-se a essa caminhada. Desfaça-te da pressão da postagem e da exibição, tu és pássaro livre. Ora, os bobinhos e as bobagens budejam feito cães quando a nossa caravana passa. Não vos assusteis e não se sintam acuados, pois este é o sinal do desespero galopiano. O lero lero altissonante desses bozos e marionetes berrantes não passam de ruído maquinário que aparece logo antes do gemido final, e o esperneio maior é porque sabem que têm pouco tempo. O Enredo é com paciência, mas eles têm pressa, muita pressa. — Havia! Havia! Bora! Bora! Bora! Assim, toca a banda ressonantemente em cada atitude dessa moçada, e dessa velharia também (que pena).