Eles foram à
bancarrota após saber dessa possibilidade. O telefone não saia do campo vocal
do artista. A pressa em voltar para o ninho obrigou o passarinho-palito a fazer
acrobacias. Era uma marmelada atrás da outra, você nunca adivinharia qual era o
recalque enquanto continuasse dependente de uma tela. Arrastados os pés no
augúrio da festança local, local, local-local. Digo, enturmar-se, e não falar
apenas baixinho, murmurando amarguras, ao tradicional estilo pseudo-recatado
ermitão da neblina. Eu e Gertrudes, e uma ruma de poings e boings. A Senhora
Mola Maluca, ao perceber minha presença, sentiu um impacto abrupto, amassando
sua lataria, removendo qualquer princípio estético, qualquer redenção e
qualidade. A frase "que tristeza" ao vivo e a cores. A pessoa ser
cruz e água benta, separa por regra, manifesta o exorcismo, é imprescindível
este ofício. Mola, está por fora. Todavia, quis trocar cartas até mesmo a
partir da sua não estatura. Era como se na sua magistratura de mesquinharia,
ela quisesse representar uma legião de puxa-sacos, acompanhemos.
— Que queres conosco, Verum ipsum factum? Vieste para nos aniquilar? — se
referindo a minha simples, e funcional, presença.
— Acautela-te, pobre alma perdida. Há mais de dois mil anos esperas, e te
esgotou a paciência. Acontece que as melhores coisas vêm com um tempo remido.
Existe cada personagem nessa fartura! Observe melhor o caminho dos pássaros.
Tu és pardal? Ou apenas bicuda?
— Como ousaaaaaas, tu não assinastes nem o plano Family, e nem muito menos
ostentastes as grifes em alta nas vitrines, e tens esse discurso? Papagaio,
pau-mandado eu não sou, eu juro.
— Nessa altura do campeonato, até os porquinhos lhe entregam. Há Judas em cada
esquina e beco. Não é mesmo, Gertrudes? — ela entra sem anunciar.
— Aonde estão os bons modos, Molinha? Boa tarde, boa tarde, tarde, tarde. Tarde
demais. Se chegastes a até este ponto na conversa, é past demais. Foi mal, tem
milho à beça. Sabe, sabugos te mordam. Meu papel de anjo me deixa à mercê...
Rram. Não me conformo com bonitinhas se sujeitando a monstrengos, esse sinal de
que a fera ainda tem chances. Mas não há cabra da peste que dome a natureza. E
de inteireza, eu afirmo: ai de ti. Mula que fala pelos cotovelos.
— Me respei- Croc... Crac... Coff... Wrrooh... Brshh...
A "comediante" mula sem cabeça, Mola Maluca, que supostamente
governava as coisas por detrás e por debaixo, se engasgou mortalmente naquele
mesmo papoco de tempo com as suas "próprias" palavras. Pareceu-me um
déjà vu de justiça poética servida. Hmm. Hm. Peripécias tais são carnudas.