terça-feira, 6 de outubro de 2026

Quando isso acontecer

Reviravoltas nos dogmas sacrossantos! Clérigos sexistas e santinhas tradicionalistas se questionando no espelho. O motivo? Sítios de sangue. Entregues à opinião popular, supostamente vox populi, questões que, a sério, eram tomadas por investigadores como objetos dignos de estudo. O movimento nas praças públicas era, na verdade, uma massa manipulada, não crítica nem consciente disso. Alguns poucos sábios se levantaram contra a leseira do populacho e puxaram consigo a terça parte dos espertinhos, o que deixou o gado dos entusiastas do ódio ao próximo desorientado. A vitória almejada no horizonte era uma rosa com abundantes espinhos.

Temer? Essa não era uma opção, a glossolalia por hora era um violão. Me inflei com o estupefaciente. Cruzei evitações de protagonistas de minhas canções, mas tudo que a gente não fez em milênios fará agora, antes do fim; não viver isso seria uma grande tribulação. Você sabe do que estou falando? Se isso for loucura, que seja. Sonho com os sonhadores dos livros. Echt!

Ignorei as disputas por pedaços de terra infértil, desgraçada pela exploração desenfreada, e fui direto ao que foca os meus olhos. Porque, é, sou fraco, sou homem, sinto coisas. Nos falamos pelos intervalos; nas arestas, nos entendemos. Até a noite clarear e o sol vencer a escuridão da madrugada. A musa dessas músicas escondidas no meu texto decifrou essa busca; a esbelta não é boba, nenhuma mulher bonita é. Não vai deixar passar a maré favorável.

O contexto não era de pegar de surpresa as mentes mais mirabolantes do espectro político. Os silêncios combinados das agendas carnavalescas não captariam isso nem sondando dezenas de milhares de mensagens. Oh, não. O sentimento não é quantificável. É um avançar, avançar, conquistar, abraçar e, sim, calcular. Às vezes, até vadiar.

A própria definição de safadeza. Porém, eu, na minha. Quieto. Ouvindo grilos cantarolarem numa noite mansa pós-pleitos ruidosos. E ai, ai, ai. Chequei os algarismos da coisa. Fui da bagatela aos haveres áureos. Impossível se desvencilhar do olhar alvo dela no meio daquela multidão escolástica. Quero eu declarar em teu ouvido interior: “Tu te distingues facilmente”. Eu tive uma angelofania? É saúde pros meus ossos, poder te amar; até no vale das sombras esse fogo é capaz de reinar.

Um escaneio estrondoso passando por nós, não só as palavras: corações! As verdades eternas que entram e não saem mais. Seu pesar melancólico, quase desistente, caindo nos braços da esperança. Veja que luz táctil; nisso, o salmista nos adiantou: até a tristeza salta de alegria. Arpoadores, eis erguidos em vossas lanças os geológicos detratores; ora, não chamem de cego massacre o que é justiça, o que purifica a alma de frágeis mortais. Eu e você.